As Lanchas não foram apenas um meio de transporte mas representam também um repositório de memorias colectivas dos residentes mais velhos. No passado as pessoas viajavam entre Macau, Taipa e Coloane essencialmente por gosto e entretenimento. Quando chegavam ao destino apreciavam as vistas e a natureza, e entretinham-se a fazer vários tipos de actividades. Fotografias desbotadas mostram momentos de alegria passados em grupo que, sem dúvida, aproximavam as pessoas.
Além do lazer, as viagens estavam associadas a outras histórias reveladoras da bondade da população de Macau. Um dia, um jovem de Coloane que diáriamente tinha de apanhar a carreira para Macau para frequentar a escola, adormeceu e atrasou-se. Chegou ao cais a correr e quando saltou para o barco o seu caderno voou e foi parar à água. De imediato um vizinho foi a correr ajudar e conseguiu recuperar o caderno que o jovem já dava como perdido. Numa outra ocasião desta feita na carreira da Taipa para Macau, uma grávida sentindo contracções foi assistida pela tripulação. Estes perceberam a situação de emergência e ajudaram ao parto. E assim nasceu uma saudável menina. Esta história foi divulgada nos jornais, causando comoção geral em Macau
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